Discursos Proferidos

Crise na GM
 

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, o presidente da General Motors do Brasil e operações Mercosul  afirmou, após o anúncio da concordata da GM, nos Estados Unidos,  que a filial brasileira da montadora americana não será vendida nem dependerá de investimentos externos  pelos próximos cinco anos.

Trata-se de uma informação que nos  tranqüiliza, porquanto, apesar da crise que se abateu sobre a  matriz, “a GM do Brasil consegue se sustentar sozinha”, sendo, segundo suas próprias palavras, “saudável e lucrativa” e capaz de “caminhar tranquilamente com seus próprios recursos”.

Assim, Sr. Presidente, se de um lado os consumidores brasileiros não serão afetados pela concordata da empresa norte-americana, pois não se  vislumbra a retirada de nenhum veículo da linha, cujas peças são todas fabricadas no Brasil, de outro, seus empregados podem ficar tranqüilos  ante a garantia de manutenção dos respectivos postos de trabalho.

Embora a General Motors venha perdendo, ao longo dos últimos 10 anos, espaço no mercado internacional para outras concorrentes, principalmente as japonesas  Honda e Toyota, a montadora nacional ainda vem sendo lucrativa em 2009, tendo  registrado seu melhor ano em 2008.

Mesmo com a queda de 55% nas exportações para a América Latina e para a África do Sul entre janeiro e maio deste ano em comparação com igual período de 2008, ainda assim os efeitos da crise dos Estados Unidos e Europa não afeta a GM do Brasil na medida em que não exporta para aquelas localidades, apenas vendendo serviços como a tecnologia para carro flex, por exemplo.

Outra notícia alvissareira passada pelo executivo da empresa foi a de que a venda da Opel, braço europeu da GM, não afetará os negócios da operação brasileira da montadora, pois as “peças dos veículos brasileiros são produzidas no país e que a GM tem, no Brasil, um dos centros de tecnologia mais modernos do mundo, o qual permite independência em relação aos modelos projetados no exterior”.

Neste contexto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cumpre-me destacar que até entrar em concordata, a General Motors era um raro sobrevivente de uma época dourada do capitalismo e da sociedade americanas.

Com o fechamento de 14 fábricas até 2011 encerra-se, lamentavelmente, um ciclo de prosperidade da empresa, que juntamente com a Chrysler, também em concordata desde o final de abril, simbolizava o poderio industrial americano.

Com isso, nos próximos 40 dias terá de transferir seus ativos para uma nova empresa, doravante controlada pelo governo dos Estados Unidos e com participação minoritária de trabalhadores e credores, resultado  de uma  recessão que  tem arrasado vários dos grandes ícones do capitalismo americano, nestes incluídos os maiores bancos da economia mundial, considerados indestrutíveis até pouco tempo.

A GM americana, segundo analistas, não foi à lona porque tenha escolhido, equivocadamente, fabricar modelos de automóveis grandes e beberrões, já que o consumidor americano, mesmo após o advento da crise, continuou a comprar os carros da companhia, líder em vendas nos EUA. O problema fundamental foram os custos exorbitantes acumulados pelo modelo de negócios da montadora.

Com 92 mil empregados concentrados no Meio-Oeste americano, a empresa tem compromissos, só em pagamento de aposentadoria, com 500 mil pessoas. Esses custos, herdados de uma era em que os sindicatos eram muito poderosos, o uso de mão de obra mais intensiva  e a concorrência bem menor, se mostraram incompatíveis com a realidade vivenciada nas últimas décadas.

Gradativamente, montadoras estrangeiras, sobretudo asiáticas, passaram a se instalar nos Estados Unidos valendo-se de tecnologia mais flexível e dotadas de um projeto de fábricas e de  relações trabalhistas bem mais enxuto, impondo a GM um patamar de preços que o modelo tradicional não poderia acompanhar sem acumular dívidas, comprometendo, ao longo dos anos, a boa situação financeira da empresa, encerrando-se, ao que tudo indica, um ciclo centenário de invejável  sucesso empresarial da General Motors.

Encerro esse pronunciamento,  Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, formulando os mais sinceros votos de que se confirme o otimismo demonstrado em relação à GM do Brasil, desejando que o possível efeito mercadológico  provocado por uma esperada desconfiança dos consumidores em relação à marca  não atinja o bom desempenho verificado nestes últimos meses, onde, somente em maio, foram vendidas quase 48 mil veículos, o que representa um acréscimo de 1,65% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Muito obrigado.