Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tenho afirmado, desta Tribuna, que o crime organizado tem levado pânico e insegurança aos soteropolitanos, que a cada dia se sentem mais aterrorizados com a crescente escalada da violência verificada em todo o Estado da Bahia, especialmente acentuada nos dois últimos anos.
O caos que se estende por toda Região Metropolitana de Salvador pode ser constado no último fim de semana, quando foram contabilizados pela polícia 24 assassinatos, ou seja, desde as 7 horas da manhã de sábado, dia 5 de dezembro, até às 21 horas de segunda-feira, representando a media de uma morte a cada 3 horas.
Essa média, Sr. Presidente, bem retrata o incontrolável quadro de violência que se instalou na Capital do Estado que, nos últimos meses, tem-se estendido por outras cidades baianas.
Não bastasse, dentre as mais de duas dezenas de mortes noticiadas, Sras. e Srs. Deputados, há registros de pelo menos duas chacinas. A primeira, ocorrida no domingo, quando foram encontrados três corpos no bairro de Caji, em Lauro de Freitas. A segunda, horas depois, na região de Pituaçu, onde mais quatro homens foram violentamente assassinados, levando à polícia a suspeitar de ambos os episódios estarem intimamente relacionados, já que os corpos das vítimas apresentavam marcas de tiros e de espaçamento, além de estarem com os pulsos amarrados com fio de nylon e desnudos.
Embora as autoridades policiais afirmem desconhecer o envolvimento de policiais, há fortes e robustos indícios de a chacina estar relacionada à recente morte de um policial, sendo esta dantesca ação a resposta da polícia à onda de violência que assola todo o Estado da Bahia.
Essa suposta chacina, aliás, não foi a primeira vez que ocorreu. Em julho deste ano, também em Pituaçu, foram registradas outras quatro mortes, nas mesmas características, quando foram encontrados quatro jovens carbonizados em um carro, na estrada de Nova Brasília, no bairro de Valéria, tendo uma das vítimas também apresentado sinais de haver recebido pauladas na cabeça. O cenário de violência vivenciado nesses últimos anos por todos nós, baianos, nos causa profunda descrença com a capacidade de o governo estadual reverter esse clima de insegurança e terror que vem a cada dia se arraigando no seio de toda a população.
Não sem razão, portanto, a unânime opinião de especialistas ao afirmarem que o problema de fundo da criminalidade é justamente a falta de adoção de uma política de segurança pública que pressuponha soluções estruturais, dentre as quais a indispensável integração entra as policias civil e militar no combate ao crime, já que hoje predomina um total descontrole no comando de toda a força policial do Estado da Bahia, mormente pelo lamentável quadro de penúria pelo qual atravessam as corporações, que se debatem, de um lado, com a falta de equipamentos eficazes e, de outro, com desestímulo de todo o contingente com os baixos salários percebidos pelos policiais, que diuturnamente sacrificam suas próprias vidas nessa luta inglória que a cada dia perde terreno para os criminosos.
Diante desse quadro, tenho me posicionado como ferrenho opositor contra a forma pela qual o atual governo estadual tem conduzido a segurança pública, dando mostras inequívocas de sua absoluta incompetência para solucionar um dos mais importantes problemas a ser imediatamente resolvido, impossibilitando a redução deste insuportável índice de violência que, para desassossego de toda população, se instalou nos quatros cantos da Bahia.
Muito obrigado. |